quarta-feira, 22 de abril de 2009

nautilus

óssea sinfonia,
flor madreperolada,
botão recolhido,
em armadura calcárea.

casa abandonada,
no leito escuro da noite,
no ventre do azul profundo.

repousa em minhas mãos como um pássaro,
uma flauta...
e meu coração em prece germina,
lançando na terra úmida
galhos novos e raízes.

pedra gestada na carne do tempo,
nas águas salgadas,
no fluxo da atlântica deriva.

perpétuo móbile:
pequena orla onde confluêm
petrificados os infinitos.

dinâmica circular do instante,
fractal de eternidade imóvel:
válvula e vórtice.

escadaria espiralada:
amanheço teus degraus,
ao sol do meu filho - o palácio branco.
entardeço à areia dos meus ossos;
ao meu pai e meu avô
(meus pés na areia).

divina geometria,
concha espiralada.
teu oceano,
espelho do meu oceano:

sistole e diástole,
fluxo e refluxo

teu oceano,
espelha o meu oceano
e meu coração em prece germina,
lançando na terra úmida
galhos novos e raízes.

2 comentários:

Maiza disse...

oi, mocin. tudo bom?
entonces, já tinha vindo aqui algumas vezes e nunca deixei comentários.
Gosto bastante de algumas coisas, mas a verdade é que acho muito difícil ler poesia. =) Tenho que ler e reler muitas vezes, sempre.

Então, nos restará agora o tuíter (sem lastfm e com orkut tão sem graça...). e tem tb o tal do blip, vc já usou?

beijo

Ariane Alves disse...

Circularmente, nos renovamos.