sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Lírios de nanquim traçados ao tédio, formas vazias, monocromáticas, esboços de uma geometria vegetal, hastes curvilínieas de um sóbrio azul. Romãs esquecidas por pássaros saciados. Frutos sem nome, caídos na terra varejeira, abertos, expostos, rompidos. Copos de vidro emborcados em tábua antiga, copos pacientes. Fios de sol, teias infladas pelo hálito da tarde. Vôo dardejante de aves tardias. Requiém dos seres que em seu turno se recolhem, dos que em seu turno volta a se mover. Planetas fosfóricos acesos, um a um, por entre os galhos, por sobre as copas. Pálido sangue na lâmina do horizonte, luz de um sol esvanescente.Flores traçadas ao tédio, frutos não colhidos em seu tempo.

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